nos tempos de fuga dormia sobre a terra
clareira de folhas secas à espera
olhos rondam a terra e se confundem nas folhas que podem ser sombras silhuetas mãos armadas da gestapo e porque tem medo pouco dorme ou dorme de olhos abertos assustando quem passa por acaso pelo parque
e mesmo atrás das moitas de folhagens os olhos dele brilham no escuro e há mais alguém atrás das moitas – não conhece esse corpo que ocupa tanto espaço não conhece essa boca que mal consegue ver na semiescuridão porque parte do rosto está coberta por um capuz
é preciso aproveitar a noite quente de julho vestido em um sobretudo encontrado no fim de sua rua depois que os tanques passaram
os tanques não têm música fazem tudo tremer sem dança e não há pássaros nem árvores tranquilas depois deles não há janelas de ver a rua mas olhos vazios paredes assustadas
uma noite sonhou com o mar









