... olha, amor, tudo rachando tudo a pique de ruir
olha que obra incompleta abandonada, esquecida olha o sonho carcomido que esquecemos de sonhar olha o filho que enjeitamos o amor que não amamos e os projetos sine die
olha as ilusões pisadas quase tudo, quase nada olha as tardes da colina rolando de morro abaixo olha o fogo distraído se esquecendo de queimar e os espinheiros que crescem abafam cobrem florescem suas flores desiguais e esse cheiro de velório que engole as damas-da-noite e esse frio pela praia os tapumes no caminho a farpa entrando no pé
a alegria trancada a sete chaves numa gaveta qualquer e nós perdemos as chaves uma a uma
Terça-feira, Março 25, 2008
minhas palavras o vento costurou a sua veste
o trigo a uva e as rosas invadem as campinas e a frase menos límpida ainda busca o alento da manhã
ouve as palavras do vento
mais que de ausência essas palavras rondam tua casa com ânimo de sol