nem o cansaço da viagem
e a tempestade no mar
conseguiriam tornar mais leve seu passado
nunca aceitou conselhos
e por uma questão de acabamento
era contrário a todos os ardis
: preferia a violência dos ventos e
diluiu sua história em vidas falsas
foi passageiro desapercebido de trens navios
décadas
e instalou seus bigodes amarelos em sessões de cinema
no bairro do começo
mais tarde o kinoplex oitavo piso
imaginando esquecer do que falavam
e a cada distração lembrando
vívidos
os rasantes sobre o telhado em casa de seus pais
e as bombas que detonaram sua infância
para longe do rio e dos vagares
no quintal displicente da Baviera
diante da prateleira dos poemas
imaginava viver numa ilha grega
e num terraço avaliado em sete livros desaparecidos
durante a inquisição
arquitetava planos e viagens
dentro de sua casa de sobrado
sempre a esperar mais do gato e das janelas
do que podiam lhe dar
acumulando visões vozes de antes da guerra
fumaça e pesadelos
noites que nem a madrugada abria
entre monges escribas
caligrafias e iluminuras inutilidades
e poeira
ou páginas flutuando sobre a água
sempre entre as cenas de algum filme
a que assistia distraído na tv
esteve em praga e lisboa
margens do arno
de onde rememorava colombo sem a esquadra
em sua avenida amena antes do almoço
durante os últimos anos do sobrado
de onde podia ver um outro rio
Terça-feira, Outubro 06, 2009
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6 comentários:
gosto de passar por aqui ... sempre ... surpreendo-me, ou, surpreende-me
Gostei do poema.Talvez um dia vá parar ao meu blogue.Deixa?
Beijos
Querida Adelaide, tua escrita é tocante, sensível, comovente!... Consegues alcançar os recôncavos da alma, com tuas letras, amiga. Passo e deixo aqui beijos alados, azuis e primaveris! Saudades!
Belos, seus textos.
Aguardo a sua visita:
www.marcelodemarco.blogspot.com
Estava com saudades de passar por aqui. Versos encantadores, como sempre. :)
nossa, dade, fortíssimo!
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