Van Gogh. O pastoreio em Nuenen. 1885.fugiu de sua terra há sete décadas
moram com ele na casa de sobrado
um cinzeiro rachado da Bavária
a escrivaninha surrealista do tio que sofria
de esquizofrenia
e um ruído de rio
permanentes ambos o rio e o ruído
da sala se ouve um zunzum discreto
mas constante
onde trocam ideias o pai
a mãe e a mestra de sua escola da infância
que – fossem vivos – teriam
cada um
ao menos cento e vinte primaveras
às vezes ele chega até a janela
e se não há muito sol nem muita chuva
e o rio corre manso
diverte-se passeando em pensamento
pela memória da margem mais deserta
até encontrar alguém
que fale o alemão fluentemente