segunda-feira, novembro 14, 2011
Do alto
Décimo andar.
Um dia de mar tão quieto
nem uma brisa leve
na trança do jasmineiro da varanda
onde os insetos dormem.
Ruas desertas
ramos de asfalto quente
no tronco da cidade.
Do alto o mundo contempla
a praia mais afastada
que a vista não alcança da janela.
Alguma coisa ressurge das camadas
de sílica e distância
a sombra tatuada bem ao fundo
e coisas flutuando no silêncio
alguém que se imobiliza
e dilacera.
O mar travado
a vida
em transe.
sexta-feira, novembro 11, 2011
Um poema de Silvia Chueire
Há um
mundo
Há um
mundo ao qual pertenço
e
atravessa dos círculos naturais da física
ou da
lógica.
Nele
minha alegria se expande
o
desejo se mantém intacto
e o
pensamento são rios e rios
tormentosos ou
calmos,
a
sustentarem o sentimento das coisas.
Às
vezes me amo,
outras não,
tu não
sabes de nada.
Eu de
nada sei
a não
ser o lugar da hipocrisia
ao qual não
pertenço.
Silvia
Chueire
quarta-feira, novembro 09, 2011
Ao sol de agora
Bem sei da noite
que vai chegar
que vai chegar
asas escuras
paisagens foscas.
Sei que de sono
vamos morrer
durante as horas
de ouvidos moucos
o pensamento
desfeito em sonhos.
Agora
Agora
que é dia ainda
melhor pensar
pelos sentidos.
Melhor ouvir
o mar batendo
e mergulhar
nas horas vivas
enquanto o sol
roga por nós.
roga por nós.
segunda-feira, novembro 07, 2011
Calendários
Um novo mês antigo
nos assola
e veta outras palavras
como quem pede dos homens
a sanidade do mês.
Os dias cobram passagem
tocam no ombro
em exigência
para o mês que adentrou o calendário.
Lembro de um homem
sempre em desacordo
deslocado
dentro de um mês futuro
ou do passado.
Ele falava novembros em agosto
e nunca atentou para os dias
senão para os estágios de manhãs
tardes e noites.
Contemplava o sol
raso nascente ou maduro
raso nascente ou maduro
sabia as poses da lua
e assim era feliz.
Falava como quem sonha
redimido
mesmo perdido
da abstração dos meses.
sexta-feira, novembro 04, 2011
Corola
Imagem sem menção de autor.
Rua quieta na manhã
cidade em férias
caminhar sentindo
o sol ainda morno
o melhor do verão
quase o melhor
da vida.
Ceder um pouco mais
ao outro lado
sentir-se menos
responsável
menos ferida
liberta
ver em todo lugar
uma isenção.
Conviver com a rotina
da manhã
lembrar
e existir
corola
que teima em não fechar
querendo perceber o mundo
em si.
quarta-feira, novembro 02, 2011
Ela
Nunca percebe bem o que a assusta
e por isso se engana.
Às vezes
deixa que o medo entre em sua casa
e tantas outras
imagina que ama
antes de descobrir toda a verdade
sobre o ator principal
com quem irá compartir
um novo drama.
segunda-feira, outubro 31, 2011
Cantigas do bom emprego IV
7
Dona da noite e da tempestade
vejo o que desejo ver
sobrevoo a utilidade que me sufoca
nego-me a ser ferramenta
da obra que vai me soterrar
e aqui já não jaz
– é uma clareira
cercada de florestas
alma nova
um sacudir de cabelos
ombros em liberdade –
desapegada e livre enfim
de perfunctórias aporrinhações.
8
Rasgo meticulosa a folha
do orçamento em que trabalhava
e faço uma gaivota com ela.
Apesar da chuva
voa como uma pomba branca
treva adentro
e eu vou com ela.
Assinar:
Postagens (Atom)
