segunda-feira, junho 10, 2013

Intervalo



O prédio em frente à janela entristeceu
vestido da luz dessa tarde inexplicável
e entanto doce
e a amendoeira parece repousar
movida pela brisa e sem os pássaros
que a visitam toda manhã.
Um prédio que medita
pensado por uma amendoeira silenciosa
é a referência maior deste momento da vida
em que procuro legitimar a paz
e o intervalo de amor que me rodeia
a mim, que há muito perdi a fé.

segunda-feira, junho 03, 2013

Decantação



Porque calei o amor e a incerteza
toda a verdade do que mais importa
e construí castelos de defesa
só restará de mim a língua morta
com que semeio a terra adjacente
e que relata imagens refletidas
do medo e da saudade do presente
e do futuro adiado pela vida.
Porque fiquei e o tempo nunca para
e quanto mais me omito mais me eximo
partiu-se o fio que me desenhara.
Tornei-me pedra cal areia e limo
já não sou mais que o espaço que me ampara
e decantada no tempo me suprimo.

sábado, junho 01, 2013

Teoria do sonho



 

Sonhar vem de surpresa
do labirinto guardado por um touro
e o touro tem uns olhos de criança.

Sonhar navega desejos
numa oração a medo
em contas feitas de matéria escura.

Sonhar redime um naufrágio
em voo ao cais errante
aonde o barco chega.

terça-feira, maio 28, 2013

Das dores




Doem as previsões
o inacabado
e o cortejo dos sonhos sem futuro.
Doem medos persistentes
e a solidão
irmã gêmea.
Doem os chamados que não escutei.

Dói como raiz desenterrada
todo poder injusto
na servidão dos motivos.
Doem as interdições sem rosto
lobotomia incruenta do desejo.

quarta-feira, maio 22, 2013

Da alegria



 

Ela sempre suspira durante uma alegria
como uma criancinha
a quem a alegria em excesso causa espanto.

Estar muito alegre pode assustar
e mesmo deixar alguém amedrontado.
A alegria
sua curva transcendental
são poderosas
e fazem pouco de nós.

segunda-feira, maio 20, 2013

Visão







O dia se esvaiu
e ainda resisto
presa ao batente da porta
por onde vislumbrei
o paraíso.