quarta-feira, outubro 02, 2013

À la Clarice






Se a luz percorre nosso corpo
e o amor se apaga
a escuridão nos ata
e a ausência de quem se ama
pesa mais.

Uma palavra pronta a ser dita
que os lábios calam
é silêncio maior que a música
e canta
de entristecer.

Carregamos o peso das ausências
as palavras caladas
e os desejos
despetalados
antes de florescer.

sábado, setembro 28, 2013

De gavetas e gaiolas




A gaveta esquecida
retém lances de dados
jogos refeitos
e devaneios datados
de alguma primavera.

O corpo é um limite
e adivinha
mares e voos
preso à monotonia
da respiração necessária.

Respira na gaveta
uma existência de pássaro.
Aberta uma gaiola
o pássaro tem medo
de se atirar no vazio.


domingo, setembro 22, 2013

Constelações de Outono




Nas imagens da janela
ventos frios
e ecos avulsos
de vozes inseguras.
Presenças apressadas e distantes
pelas calçadas
cenários desenhados
para a muda constelação das outras vidas
no cosmos dos condomínios.

segunda-feira, setembro 16, 2013

Formas



Sem fim
te faço caber
no escuro precipício
tua amada.

Teu corpo
um potro o habita
e me consome em formas
convocadas.

Acordo antes de teu rastro
à luz de um astro rude que te ateia
madrugada
dança de duras flores
nossa festa
desabrochada.

sábado, setembro 14, 2013

Viver




Viver
é discutir o indiscutível
inadequado e lírico
inexata exatidão
rajada de impossível.

É se entrevar
manipular estorvos
e conquistar montanhas
passo a passo
topeçar
e do tropeço refazer o espaço.

Viver é se afogar
e em fogo renascer
no berço brando do amor
e desse amor
tantas vezes morrer
quantas for dado.