domingo, dezembro 12, 2010

De gavetas e gaiolas




A gaveta esquecida
retém lances de dados
jogos refeitos
e devaneios datados
de alguma primavera.

O corpo é um limite
e adivinha
mares e voos
preso à monotonia
da respiração necessária.

Respira na gaveta
uma existência de pássaro.
Aberta uma gaiola
o pássaro tem medo
de se atirar no vazio.

13 comentários:

Assis Freitas disse...

belas metáforas, oxigênio para existência



beijo

Anônimo disse...

Teu poema ressoa no sentido físico e no que a alma (o pássaro), costurada ao corpo, depende dele. Amei.
Besos
AnaC

Lara Amaral disse...

Agora me faltou o ar.
Magnífico!

Beijo.

Marcantonio disse...

Começa por um título muito bonito. Parece que os lances de dado não alteraram fundamentalmente o futuro. Ainda a liberdade, não é? Nessa dialética com os limites e o medo de rompê-los. Para mim, Dade, uma certa contenção faz a beleza dos seus versos, com uma inquietude filosófica respirando sob eles, gavetas da forma.

A associação entre corpo e gaveta me fez lembrar das Vênus com gavetas do Dali.

Beijo.

Daniela Delias disse...

Também necessária é a tua poesia...
bjos!

Mai disse...

Tudo o que contém, se libera no poema.

belíssima a metáfora, dade.

beijos

Mirze Souza disse...

Maravilhoso, Dade!

Bem sei que depois de aprisionada, o medo de voar é grande. Gavetas-gaiolas!

Beijos

Mirze

Mirze Souza disse...

Maravilhoso, Dade!

Bem sei que depois de aprisionada, o medo de voar é grande. Gavetas-gaiolas!

Beijos

Mirze

Úrsula Avner disse...

Belo poema Dade... É raro não me emocionar e parar para refletir quando pouso por aqui...Lindas metáforas que compõe uma analogia harmoniosa entre gavetas e gaiolas. Neste seu cantinho sou pássaro voador, mas não caio no vazio... Bj.

Cris de Souza disse...

explêndido!

beijo na asa esquerda.

José Carlos Brandão disse...

É só falar em gaiola e me lembro das Ideias de Canário, de Machado. Cheguei a citá-lo e à exaustão num romance. Lembra-se? É o canário numa gaiola, num brechó (Machado diz "loja de Belchior), para quem o mundo se resume àquele brechó.
Excelente a metáfora gavetas/ gaiolas.
Abraços.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

O medo de sentir-se livre e da felicidade. Belo e inspiradíssimo. Parabéns, Dade.

nydia bonetti disse...

Ainda assim, se atira... E o poema voa. Lindo, Dade. beijos!