sábado, dezembro 18, 2010

Intervalo

O prédio em frente à janela entristeceu
vestido da luz dessa tarde inexplicável
e entanto doce
e a amendoeira parece repousar
movida pela brisa e sem os pássaros
que a visitam toda manhã.
Um prédio que medita
pensado por uma amendoeira silenciosa
é a referência maior deste momento da vida
em que procuro legitimar a paz
e o intervalo de amor que me rodeia
a mim, que há muito perdi a fé.

9 comentários:

Amélia disse...

Beleza!

Marcantonio disse...

Poetas são animistas, inconformados com a simultaneidade indiferente de todas as coisas. Inoculam alma, então,para tornar cúmplice esse silêncio, como se ele fora pausa em que os objetos meditam sobre o humano.

Um beijo, Dade.

Assis Freitas disse...

para este mundo caótico, uma epifania


beijo

nydia bonetti disse...

A vida nos observa o tempo todo, sempre em paz. Já nossos olhos entristecem... beijo, dade.

Anônimo disse...

Um poema que não se limita à paisagem, uma paisagem que serve ao poema e uma confissão assim, tocante, fizeram minha alegria neste final de domingo.
Beijo e carinho
César

Mirze Souza disse...

Dade!

Há tardes assim! Parece que o céu desaba, mas no intervalo da noite, estão todos lá. Dá cansaço isso.

Muito bonito!

Beijos

Mirze

Lalo Arias disse...

Além do olhar da poeta, o que nos encanta é vislumbrar a própria poeta em sua janela a engendrar poesia. Não duvide, Dade, seu olhar está carregado de fé.
Beijão.

Lara Amaral disse...

Intensamente melódico e lindo. Queria saber falar da dor e da beleza assim.

Beijo de admiração.

JAIRCLOPES disse...

Gostei muito do conteúdo do blog, penso que a blogsgeta só tem a ganhar com saites assim. Aproveito para dizer que em meu blog: www.jairclopes.blogspot.com publiquei uma matéria interessante sobre GENTILEZA que gostaria que você lesse e comentasse.