quinta-feira, dezembro 02, 2010

Naufrágios



O gesto escrito
de letras soçobradas
que Crusoé deitou à correnteza
já não pertence a ele
mas ao mundo.

O gesto disponível
atravessa distâncias
grito mudo transcrito
rito
transgressão numa garrafa
ao mar do tempo.

13 comentários:

Leonardo B. disse...

[doce o sorriso do naufrago que se ancora na praia longe, nas ilhas dos passos de outro lugar]

um imenso abraço, Amiga Dade

Leonardo B.

Mai disse...

são vários os destinos possíveis quando se está à deriva.
Como gritar silêncios pelos mares ou espalhar poemas nessas ondas néticas. Mas com poesia certamente não naufragaremos, Dade.

beijos, querida

Amélia disse...

Muito bom, Dade - como sempre nos seus versos.Beijo amigo

Marcantonio disse...

Assim deve ser, escrita (e existência) como intersubjetividade, mesmo que a partir de uma ilha deserta, ou de/para arquipélagos em faixas distintas de tempo. Ao menos na intenção do coração.

É um achado a dupla utilização do prefixo 'trans' aqui (aliás, ele não tem nada de fixo). E achei este verso maravilhoso:

"grito mudo transescrito".

Beijo.

Lara Amaral disse...

Quem é de versos atemporais, nos navega.

Tão lindos seus poemas, moça!

Assis Freitas disse...

o não pertencimento da palavra que dita se alvoroça nos (m)ares,

beijo

MariaIvone disse...

Todas as pertenças nos pertencem quando lançadas na correnteza do mar do tempo. Muito bonito Dade.

Beijo

Úrsula Avner disse...

Oi Dade, sua escrita sempre me encanta... Lindo poema atemporal como bem comentou a Lara. Bj

Mirze Souza disse...

Maravilhoso!

Crusoé começou e nós naufragamos com ele.

Belíssimo!

Beijos

Mirze

José Carlos Brandão disse...

Penso nos salvados do naufrágio de Crusoé, como o essencial. Soubéssemos nós peservar o essencial.

Beijos.

Zélia Guardiano disse...

Ah, que lindeza de poema, Dade...
..." numa garrafa
ao mar do tempo."
Tempo, tempo, tempo...
Sou perpétua náufraga, minha querida!
Vivo me debatendo, engolindo água...
Mas hei, ainda, de encontrar uma tábua...rs...
Encantei-me com os seus versos!
Imenso abraço!

Antonio Carlos disse...

Olá Dade,
O escrever, é assim um grito num delicado naufrágio, que inspira o momento tenso numa bela poesia, que atravessa distancias dentro de si mesmo.
Grande abraço.

Geraldo de Barros disse...

não há como vir aqui e sair sem sair sentindo um poema navegando dentro da gente.

lindo poema!