quarta-feira, dezembro 15, 2010

Das sombras


E quando às vezes se está
praticamente morto
mas o sangue continua
seu percurso
indiferente?

Nada em nossa matéria
músculos, glândulas, ossos, cartilagens
parece perceber o que acontece.

Lá fora o tempo completa sua curva
como se não existíssemos
e pouco a pouco
o gelo se alastra pelos membros.

10 comentários:

Graça Carpes disse...

Frio inverno...

Carla Jaia disse...

o sangue não diz. insiste. mudo. o sangue e as coisas que acontecem. as coisas sem palavras. a vida além de nós. e o gelo.

Tão bonito, e dói. Tenho que visitar vc com mais frequência!

Lara Amaral disse...

Lembrei da minha prosa que falei dessa dor sem aparente lugar.

Vc escreve tão bonito, Dade, mesmo as coisas mais doridas.

Beijo.

Assis Freitas disse...

de arrepiar, me passaram gélidas imagens


beijo

Mirze Souza disse...

Lindo, Dade!

Adoro poemas assim, que despertam para a realidade que um dia todos passarão.

E nesta forma branda e branca, ficou até bonita.

Beijos

Mirze

Mai disse...

Morrer em vida quando tudo esfria.
A sombra é apenas um lado.

Gostei bastante, Dade.

Eder Asa disse...

o gelo queima.
Dade, sou tão seu fã rsrs
Beijo!

Daniela Delias disse...

Que belo retrato do tempo...lindo, Dade, lindo.

José Carlos Brandão disse...

O gelo se alastra,
um dia não mais doeremos.

Beijos.

Marcantonio disse...

Verdade, o corpo passa pelas estações sem se dar conta, como o mecanismo de um relógio nada sabe das horas e sequer sabe que está parando. Mas isso que chamamos alma, essa consciência que viaja com o corpo, às vezes dá uma olhada para a paisagem, e percebe que o corpo já não deixa tão velozmente para trás...

Beijo, Dade.