quinta-feira, maio 22, 2008

Necrológio para J.T.



Vivia em busca de alguém
para mudar o rumo da vida sempre igual.
Podia ter sido mesmo um ser fantástico em trajes espantosos
que revelasse enfim o sentido da existência
transcendência ou razão
e os melhores macetes da bolsa de valores.

Queria uma casa onde morasse mesmo estando longe
e um sonho esclarecedor
sobre como a ciência varreria do planeta
a morte e suas metáforas.

Queria garantir um sono sem surpresas
e mais que tudo esperava encontrar o amor eterno.

Acreditava num talento oculto
que lhe abriria as portas decisivas na hora certa
ora passada.

4 comentários:

Carol Timm disse...

Adade,

Esse é um dos seus poemas cobertos de mistério...

Triste a história do J. T.

Eu queria te convidar para visitar a Casinha de Brinquedos... que está cheia de novidades!

Beijos,
Carol

Analuka disse...

Sim, penso que vivemos à busca... à procura, dentro e fora de si, de inscrições, sinais, prazeres, refúgios... Beijos pintados, amiga.

Saramar disse...

Belíssimo, apesar de ser tão triste por tudo o que foi sonhado diante da insuficência do tempo.

beijos

(l' excessive) disse...

Mudar a rotina da vida sempre igual é tarefa pra todo dia! Dá trabalho, sim por isso nos acomodamos na maioria das vezes.
Qto. a sua observação lá no poema do Solda não é à toa que achaste semelhanças com as coisas de Leminski. Eles eram parceiros.
bj pra você