segunda-feira, dezembro 21, 2009

Habitare



Há muito tempo estão conosco os móveis livros
e tantas coisas
roçando nossas vidas sob o desgaste do teto que reflete
a luz da manhã no jardim.

Há quanto tempo nos protegemos de sol e chuva e dos ventos do estio
por trás das mesmas janelas de cortinas claras
que nos defendem da rua
a resguardar a sala cor de sépia.

Há tanto contornamos a curva das escadas
sabendo cores e penumbras e paisagens do quarto mais acima
e conversamos sobre coisas sem lugar ou utilidade
que vez ou outra esquecemos como corpos mortos numa prateleira
até que se tornem de novo uma pequena surpresa e toquem nossos lábios
com uma espécie branda de sorriso.

E o que são os anos para nós
que a cada dia lemos os jornais na rede da varanda
e ainda reconhecemos os lugares das coisas
que há muito se extinguiram?

 

 

10 comentários:

Nydia Bonetti disse...

Coisas que nos habitam, mesmo que já não existam... estarão sempre lá.

Lindo, Dade. Lindo!

BOM NATAL e um 2010, muito, muito Feliz!!!

Beijos!

Moacy Cirne disse...

Olhando, olhando,
com um abraço nataçono
de final de ano.

Amélia disse...

Como sempre: gstei muito.Beijos e um bom natal para si e para aqueles que ama.

Jefferson Bessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jefferson Bessa disse...

o tempo que habita as coisas e que nos habita. O tempo como interrogação e habitação. Lindo, Dade!

Abraços

Jefferson

Anônimo disse...

habitar, morar, demorar enquanto os anos passam e tantas coisas passam - algumas deixando suas marcas para sempre

parabéns pela beleza que você espalha

beijo do
César

Nilson disse...

Sensacional! Acho que já senti isso, de alguma forma: a presença desses fantasmas!

Fabio Rocha disse...

Adoro sua poesia!

Olavo disse...

O nosso caminho é feito
Pelos nossos próprios passos...
Mas a beleza da caminhada...
Depende dos que vão conosco!

Assim, neste NOVO ANO que se inicia
Possamos caminhar mais e mais juntos...
Em busca de um mundo melhor, cheio de PAZ,
SAUDE, COMPREENSÃO e MUITO AMOR.

Um ótimo 2010.

Olavo.

Mai disse...

A memória e o tempo das coisas. De ficar e de ir - coisas, pessoas, sentimentos, emoções...
Em meio à tudo, viver com e apesar das saudades.

Beijos, querida.