quinta-feira, maio 09, 2013

Devaneios




Há muito não acontecia,
não é a insônia que conheço
é só o apelo da noite que me chama
ao contato frio da esquadria
entre o aconchego do quarto
e a doçura dessa escuridão
entre o terno e o imponderável.

O universo inicia sua música
diante dos muitos olhos lá do alto.
Há muito não precisava desses olhos
sua luz fosca
sobre a ironia dos grilos orquestrados
no jardim.

O céu não é azul.
O dia teve seus gumes
e há esses momentos.
quando nada se move
nada parece ter vida
além do allegro da água
do outro lado da rua.

Hoje choveu e há cupins sob as lâmpadas
onde a escuridão se dissolve
intercalada ao mundo equivocado,
furando a treva sem freio
na expectativa dos instantes
pairando sobre os túmulos
dispersos pelo mar.

São muitas as moradas deste mundo
e variadas as vozes que a manhã
vai acender daqui a pouco.
Enquanto a escuridão se move
maltrapilha
mergulho em tudo que existe
mas não vejo,
ouço canções inaudíveis
na tentativa de entender
por que aqui é dezembro
e tantas coisas pequenas
nos ocupam.

5 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Que maravilha de poema, Dade. Parece que uma noite é pouca para os seus devaneios.
Abraços

Assis Freitas disse...

incomensuráveis os caminhos da noite, tateamos apenas



beijo

Aloísio disse...

Poema fantástico, Dade! Adorei.

Beijo.

Fabio Rocha disse...

adorei a última estrofe. beijos!

Fred Caju disse...

Muito bom, curioso como é legal ver o quanto o blog mudou desde quando comecei a visitá-lo. Pra melhor, diga-se de passagem.