sexta-feira, maio 17, 2013

Momento



 
A chuva se recria
nas folhas da amendoeira
e a noite canta
na franja dos telhados
a madrugada líquida que chega.

É tanto o que independe
de nós
aos olhos mais atentos
– as luzes vacilantes nos suprimem
e nada saberemos dos bichos escondidos
do escuro mais escuro –
nada
de tudo que subsiste
sem que os sentidos registrem.

De todos os sinais
sobram frações
segundos, séculos
girando em outra esfera.
Se a pele é fiel ao tempo
o vento embala
ou destrói
e a chuva é mais que suas nuvens.

Olhando pela vidraça a sedução do tempo
quem sabe o mundo que iremos encontrar
depois do sono.
Ainda assim o momento é mais forte
e o esquecimento nos salva.

7 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

salva sempre ou quase sempre

beijos

José Carlos Sant Anna disse...

Que "momento" sublime, Dade. Além da chuva, escorre nessa madrugada uma poesia líquida dos seus dedos.
Abração,

Fred Caju disse...

https://www.youtube.com/watch?v=Ibp5KD3RL6E

Assis Freitas disse...

o esquecimento é salvação da memória



beijo

Leonardo B. disse...


[momento de olhar mundo,

aguardando-o, enquanto ritmo e invento
do tempo, momento do mundo.]

um imenso abraço, Amiga Dade

Lb

Ivan disse...

Magnífico, Dade!

Beijos do Ivan

Jota Effe Esse disse...

Ainda bem que o esquecimento nos salva, e assim não ficamos loucos de tanto pensar. Meu beijo.