sexta-feira, dezembro 13, 2013

Ele



As agulhas dos morcegos 
costuram a noite à terra 
(é preciso dormir 
sem espinhos nas mãos). 

Ele navega solto 
pelo navio do quarto 
tempo ancorado no porão 
da madrugada. 

Raízes e memórias 
dormem junto 
em camas separadas. 

Toda manhã 
a estrada troca seus lençóis 
sujos de sombra.

6 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Sempre engendrando a linguagem e fazendo-a ecoar através da sua poesia... Um poema que nos faz abstrair o crepúsculo...
Beijos, Dade!

AC disse...

Se é preciso dormir sem espinhos nas mãos, no poema as palavras fruem-se sem espinhas.

Beijo :)

Ira Buscacio disse...

puta merda, Dade!

essa foi literalmente minha expressão ao ler esse poema raro, raríssimo

bj, com toda admiração, poeta queridona

Assis Freitas disse...

de torar



beijo

Cecília Romeu disse...

Muito belo, Dade!

Letras em guirlanda atiçando olhares. Gostei de tudo, mas em especial:

"Raízes e memórias
dormem junto
em camas separadas."

Sensível e inteligente.

Grande beijo!

Flor d'água disse...

O navio, os dias e o seu cotidiano, fazem lembrar o seu poema. Muito bom!