domingo, janeiro 19, 2014

Andarilho



 
pela cidade quando
entre as copas e o teto mais distante       
as lâmpadas escondem o fim do dia.

Conheceu noites dormindo na calçada
ao som do apito dos barcos pelo rio
enquanto protegidas pelo escuro
lâmpadas prenunciavam outra aurora.

Viu na cidade tantas outras noites
e tantos gritos entre os muros frios
viu edifícios insones e fechados
e caminhou na sombra sem destino
olhando as lâmpadas desfolharem o rio.

Esteve nos bares cheios
mesas vultos copos vozes
galhos de hera à espera
do silêncio que os dissolve.

As armadilhas tecidas pelo tempo
à meia-luz pintam paineis imensos
lembranças falsas de vidro
brasas do mesmo cigarro
que vai se apagar nas lâmpadas
quando chega o outro dia.

6 comentários:

AnaC disse...

Lindo e digno de ser lido todo!

Beijo

Assis Freitas disse...

belo, belo

muito


beijo

Ira Buscacio disse...

quantas noites cabem nesta noite que não dorme? não sei! sei que andei um bocado sem cansar e gosto disso

muito bom, Dade, queridona!
bjoca

Adri Aleixo disse...

Uma bela viagem! Beijo, Dade!

Graça Pires disse...

Há noites assim para muita gente.
Um poema muito belo que faz pensar.
Beijos

Inês disse...

gostei especialmente deste!
um beijo!