quinta-feira, março 27, 2014

Mínima geometria




O vento passa em silêncio
e o papel de leve se arrepia
de obliquidade.

As sombras circulando no cinzeiro
e o vidro que reinaugura
sua constelação cotidiana.

Alguma coisa nos sentidos
move-se como as peças de um puzzle
uma redescoberta de formas despertando
a cera do não lugar a que chamamos alma
– eles repousam plenos
sem fome sede ou paixão
a forma que lhes cabe.

O olhar anima
nem vegetais, nem pedras
nem do mar
: secretos
os objetos são como os poemas.


6 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Especular. E o teu verbo revela a beleza da palavra articulada. Maximamente bela essa mínima geometria.
Beijos, Dade!

Lídia Borges disse...


Os poemas são objectos, a concretização possível do belo através do verbo.

Um beijo

Graça Pires disse...

O vento, o silêncio, as sombras. O poema como objecto de emoções, descoberta e beleza. Gostei muito.
Um beijo.

Lídia Borges disse...


Olá!

Voltei para dizer que o meu último livro pode ser adquirido via internet, bastando para isso clikar sobre a imagem do livro à direita no Searas de Versos ou contactar a editora:
virginiadocarmo@sapo.pt

Um beijo

Obrigada!

Nilson Barcelli disse...

"secretos os objetos são como os poemas"
Gostei do teu poema, é magnífico. Coisa a que estou habituado contigo, aliás...
Um beijo, querida amiga Dade.

Assis Freitas disse...

de torar



beijo