sábado, outubro 27, 2007

Divinação


Foto Wdrum. Bicicleta.

A matemática rendada do poema
pousa questões sem resposta
até onde a vista alcança.

Uma razão lançada sobre ele
é uma rede vazia imaginária
de pressupostos ininteligíveis.

A malha que tentou conter o poema
desfez-se em fibras
e entrega sua razão ao mar aberto.

A santidade que o envolveu
errante e transgressora
fura de irrestrições o seu tecido

porque o poema é trêmulo e transpira
cabe talvez num sonho dissoluto
mora no instante mesmo em que se esconde.

4 comentários:

Analuka disse...

BELÍSSIMO este teu poema, Adelaide querida!!!Estará postado lá no Ânkoras & Asas, a partir de hoje, está bem?... Beijos alados, e obrigada pela participação amável, delicada, adorável lá no jardim dos azuis.

héber sales disse...

show de bola!
a analuka tem toda a razão de selecioná-lo.
obrigado pelas palavras carinhosas, viu?
beijos

Mel disse...

Adelaide, adoro os teus poemas.
Um beijo!

Lunna Montez'zinny disse...

Minha cara, as vezes fico em silencio quando leio seu versar porque é como se o silencio fosse uma forma de degustar depois que a sensação passa pela pele, como se fosse o resultado final daquele transpor do suor, onde você senta, relaxa ou lava o rosto e ainda assim sente o calor pela pele.
Abraços meus a você.