domingo, fevereiro 17, 2008

Moça de Ana Rech

A dona da pequena loja
de Ana Rech
não estava lá.

Pensei que ia revê-la
na fria manhã luminosa
por trás de seu balcão de bugigangas
como antes:
no canto, o chimarrão.
magrinha, baixa e esperta
olhos inquietos
de avaliar os clientes num relance.

A loja vagamente recendia
à folha verde e amarga
que a mantinha alerta e acesa
para os lucros.
Entráramos curiosos
e apenas desejávamos saber
como vivia o comércio
numa cidade pequena
e caprichosa.

Ao lado da casa de madeira,
telhados angulosos europeus,
as trepadeiras pejadas de flores
quase sorriam.
Dentro da loja no entanto,
a moça não sorria
calculava
movida a mate verde.

A moça esperta da loja de Ana Rech
– que pena –
não está mais no balcão.

2 comentários:

(l' excessive) disse...

Isto foi fruto de sua última viagem ao sul???
:o)
Beijão, amiga!

Héber Sales disse...

este aqui é um daqueles que confundem o leitor muito cioso dos gêneros, né não?

um beijo!