quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Perfil


Não sabe onde ele está
mas sabe dele
e não esquece
sua fuga ao tédio
e às iras de outras mulheres.

Talvez esteja agora no café
onde casualmente se encontraram
quem sabe em seu estúdio
lugar de amores clandestinos
ou num cinema de bairro onde
no escuro
segue a busca sem fim
que é sua vida.

Lembro dele como de um personagem
de ficção
um anti-herói perdido na cidade
: pés de barro
as mãos irresistíveis
e um coração de vidro bem barato
que cedo ou tarde alguém há de quebrar.

2 comentários:

Lunna Montez'zinny disse...

O que o silencio diria da lembrança?

Jens disse...

"um coração de vidro bem barato
que cedo ou tarde alguém há de quebrar"
Putz, que vatícinio tenebroso. Mas gostei (muito) do poema.