Sábado, Abril 25, 2009

águas



caminhos dágua correm nos sentidos
quase em silêncio
leve labirinto

diretas asas de sulcar a terra
a correnteza transluz o que nos deve

caminhos dágua são caminhos nossos
a navegar transidos das histórias
que vêm nas curvas da terra
ventanias
aviltamento de conchas fraturadas
numa enxurrada de escória e
restos de ilhas

a correnteza se infere
deduzida
pela garganta do mar
luz engolida
e sol e lua e treva de permeio
navegam sem destino conhecido

leito de rio manso definido
engrossa os golpes do abismo
sobre lentos sistemas irrigados
suas bacias inermes sem espinhos

caminhos dágua destilam
sem registro
em córregos do prado

5 comentários:

Jefferson Bessa disse...

os caminhos sem os rastros...os caminhos d'água...

Um abraço.
Jefferson

Nydia Bonetti disse...

Adelaide
Ontem, passeando com meu cachorro como faço todos os dias, parei para olhar as águas do rio que passa aqui pertinho de casa: O rio da minha infância, o mesmo rio de hoje, e quando não estivermos mais aqui, ele estará lá. Será? Enquanto houver "águas", haverá "vidas".
E claro que minha meditação sobre as águas, também virou poema. ;))
Bejooo.

Gisela Rosa disse...

Gosto da sua escrita Adelaide!

Um beijinho e muita água fluindo!

Mulher na Janela disse...

caminhos dágua são como sonhos... nos levam a nós mesmos.

um beijo daqui.

Mulher na Janela disse...

claro, Adelaide... pra mim é uma honra qualquer indicação de sua parte...

outro beijo.