domingo, abril 12, 2009

In memoriam



Na manhã imatura
que o sol depôs antes do meio-dia
a música do corpo interrompeu sua dança.

Tinha dezoito anos
vestia ainda o futuro
como quem a qualquer momento
vai levantar e rir de tanta gente
chorando a sua volta.

O relógio ciscou no entanto seus segundos
até que escureceu
e a história por viver
adormeceu
trançada em mãos de mármore.

São cinza agora
os músculos a pele os ossos longilíneos
e o timbre aveludado de baixo profundo
que tanto prometia nos diálogos
que havia ainda de ter com a clientela
seis anos adiante
quando ganhasse o diploma
de endocrinologista.

 

4 comentários:

Beatriz Galvão disse...

Muito triste.
Muito lindo.

Poesia que nos faz chorar, e que nunca sonhamos em necessitar fazer...

Sinto muito pela perda, Adelaide. Mesmo.

Nydia Bonetti disse...

Nunca se sabe quando a música da vida será interrompida, o que não deve nos impedir de seguir dançando... e acreditando que num outro lugar ela recomeça. Ainda assim, sempre dói. E muito.
Um beijo, Adelaide.

Cris disse...

Oi, querida,

Um modo de contar o processo da vida, `as vêzes prematuramente interrompida , que nos faz pensar. E te admirar mais. O ponto é saber o quanto dançar antes de da música parar.

Beijo, querida.

O Meu Jeito de Ser disse...

A interrupção da vida, é sempre chocante, e nso toca.
Seja ela de uma vida bem vivida, ou que mal tenha começado.
É um corte.
Beijo