segunda-feira, setembro 21, 2009

A falta




Que pena andar em calçadas conhecidas e nem ao menos chegar ao arvoredo na pracinha onde há mais sombra e os insetos criam um ruído de rampa no cascalho liso a deslizar de leve e o que se espera é sempre o não falado a estrutura flexível do desejo e alternativas ao que não pode ser mais que o hálito ou o gesto do momento.

Ao menos nessa noite pode haver a assimetria de um espaço novo e na cidade algum lugar marcado e indelével. Como se fosse uma pegada no cimento fresco para se passar sem comentários num leve agitar de asas ou o sobressalto de lembrar na hora do café e ter certeza enfim de alguma coisa, mesmo nunca dita, coisa infiltrada e aspergida num lugar transportado para a vida.

 

7 comentários:

Dri Viaro disse...

Texto bonito.
bjsss

Quintanilha FR disse...

gosto de suas letras

Fabio Rocha disse...

O estilo de prosa solta achei muito legal! Bjs

Mulher na Janela disse...

menina costurando palavras, parece lua fabricando desejos.

lindo demais!

beijos...

Carol Timm disse...

É adelaide,

Lindo esse poema!!

Tenho pensado que as vezes a FALTA é excesso de coisas velhas que carregamos, mas sempre é tempo de esvaziar as malas e colocar novas sementes na estrada, não é?

Bjs,
Carol

Nydia Bonetti disse...

Tenho um poema onde falo sobre as inúmeras vezes que passamos perto de uma praça (e as daqui são lindíssimas) e nem sequer olhamos as árvores, que dirá sentar num banco e admirar: flores, pássaros, gente... vida. Teu texto me fez lembrar do que chamei de "oásis a um passo... que não daremos"
Beijo, boa semana, Adelaide!

Gisela Rosa disse...

Gostei muito Adelaide, seu jeito de escrever preenche todas as faltas! É mesmo nesse "passeio" da vida que por vezes nos encontramos...


Um beijo