Sexta-feira, Setembro 11, 2009

rio acima

temos os olhos cheios
das coisas que não vemos

a guerra de outro hemisfério
o rio de água apagada
a morte em nossos barrancos
lavadeiras encurvadas
e a flor carnívora do desarrimo

temos ouvidos prontos a esquecer
no escuro
as baleias retalhadas
o barco vazio à espera
predadores de mesa farta e
rio acima
nas casas mornas da margem
as mães e suas crianças mal nascidas

de tanto ver nas fotos
a pele grossa lavrada pela terra
as nossas mãos perderam sua destreza

4 comentários:

Quintanilha FR disse...

minha flor já virou jardim









[belo!]

Marcelo Amorim disse...

passando pra alimentar a alma pra mais um final de semana... de trabalho :-) beijo, prima dos belos poemas

Carla disse...

Calejado e belo.

Gisela Rosa disse...

"temos os olhos cheios das coisas que não vemos"


presisamos des-cobri-las...


um beijinho