sábado, janeiro 16, 2010

Em branco

                 


Sete palmos de silêncio
nas planícies da memória
histórias agora são
nuvens ao vento.

Sem nome nem endereço
começos em andamento
perdidos num chão sem rastros
no mastro sem documentos
a palma da mão sem traços.

Uma canção que não canta
sem letra nem partitura
deixou em seu lugar
dores antigas.



7 comentários:

J.R. Lima disse...

que texto lindo!
deve ser a maior das perdas, esta, e ainda assim, imagino leve, esta falta de passado.

Fabio Rocha disse...

Linda a mão que escreve!

Nilson disse...

Genial! A última estrofe,então: dói de tão bonito! (E, Dade, ficaria imensamente feliz de ser levado pelas suas mãos para o grupo de que vc falou. Respondo agora porque tb estou com conexões complicadíssimas esses dias!).

Moacy Cirne disse...

Um belo poema.
Sim, um belo poema.

Abraços.

Natália Nunes disse...

ô, Dade, muito obrigada pela passada lá no corpestranho, fiquei feliz - e lisongeada por figurar entre as pessoas que vc gosta de ler :D

boas férias e seja sempre bem-vinda!

"uma canção que não canta"
isso me pegou os olhos.


grande beijo!

Analuka disse...

Às vezes, as letras e cores e asas doem, junto com o coração, a alma e a pele. Lágrimas e canto, heis que nos salvamos, e a poesia, a arte, nos devolvem a coragem vital! Abraços alados, caríssima e querida Adelaide. Adoro teus escritos!

Samuel Pimenta disse...

Escrever é tatuar no papel o que, para todo o sempre, estará tatuado na alma a tinta do Sentir!
Adorei, está belíssimo!

Samuel Pimenta.