segunda-feira, janeiro 04, 2010

Tempo morto




Foto Katya Chausheva



 


Pesa um silêncio sem volta noite adentro
e luz de água parada nas coisas do outro dia.
É sem remédio e antigo o que acomoda a vida nesse estado.
É mais que tédio
o que resiste e não atrai ou repele
antes se fecha em flor pendendo murcha
vegetal que já não vive
antes que a morte seque o movimento
antes que a pele se solte do músculo contrito.

Como se a vida tivesse se afastado
para espiar de longe a realidade
tudo agora é queda
e nada ficou por descobrir.

7 comentários:

Sônia Brandão disse...

Gostei das imagens, de como criam um clima de vácuo e opressão.

bjs

Fabio Rocha disse...

Muito bom!!

Anônimo disse...

Dade, você é imbatível para criar climas - e o que é um poema senão um clima que envolve quem lê?
Beijo
César

Marcelo Amorim disse...

Tava com saudade de ler seus escritos, prima. Faz bem estar aqui. Gostei demais disso que está no cantinho: "o horizonte cresce nos limites / o vento quebra os passos
e o mar se apressa / dentro da concha o andante se transforma num allegro". Lindo!

Anônimo disse...

Belo como tudo que você escreve.
Bjs
FB

Nydia Bonetti disse...

Fiquei sem ar, me senti no vácuo.
Que imagens,Dade, que beleza.

beijos.

Nilson disse...

Uau!!