terça-feira, abril 23, 2013

Longas tardes de outono



Fecho as cortinas
isolo o mundo
numa esfera invisível
mais fria a cada instante.

A experiência de ser é quase trégua
entre os ruídos amigos do relógio
e o despertar discreto de meu gato.

Mas o silêncio grita na memória
e como disse Leminski
não adianta fugir
que viver não tem cura.

11 comentários:

Tania regina Contreiras disse...


Os ruídos internos são mais estrondosos do que os internos. E os ouvidos internos parecem tão profundos e largos.

Beijos, Dade

Adri Aleixo disse...

"A experiência de ser é quase trégua"
Meu Deus! Que profundo...

Beijo, minha bonequinha!

Assis Freitas disse...

viver é imperioso, não dá trégua



beijo

Camilla disse...

Muito belo, esse poema, Dade!

Beijos.

Anna Amorim disse...

Poesia é trégua da vida e as x uma forma de prosseguir apesar de.
Beijo e adorei mais este!

Pedro Luiz Da Cas Viegas disse...

O]s gatos sofrem discretamente; eles não fazem poemas.
Quanto ao seu, belíssimo poema.
Abraço.

Pedro Luiz Da Cas Viegas disse...

Permita-me colocar seu blog na lista do Randomatizes, meu blog de poesias. Aproveite e visite, veja poemas meus e de outros autores. Espero que lhe seja proveitoso.

www.randomatizes.blogspot.com.br

Nâo precisa publicar isto.

Nilson Barcelli disse...

Não há mesmo cura para a vida...
Excelente poema, gostei muito. Como sempre, aliás.

Um beijo, minha querida amiga Dade.

Ivan disse...

Muito lindo, esse poema.

Beijos do Ivan.

Caroline Godtbil disse...

Viver é quase trégua... posso entender, viceralmente, essa frase daqui do burburinho dos meus anseios.
Beijos, Dade.

teca disse...

Que profundo... intenso...

Beijos e flores.