quinta-feira, abril 18, 2013

Congonhas



                                                           Obra do Aleijadinho    


 Seria uma cidade igual às outras,

diamante bruto ao fundo da montanha-mina,
não fosse pelo bailado dos profetas no adro
os movimentos leves de pedra-sabão
as dobras panejadas de seus mantos
e as faces impenetráveis
angulosas.
Esses profetas
cobrem a terra de harmonia lúdica
em cantos inaudíveis.
Tornam em ouro o pó
e o azul do céu em prata clara.
Decidem os destinos da cidade
secretamente
no espaço-tempo dos fatos.
E ao lado da aparente sisudez
praticam um misticismo fetichista,
ritualista e irreverente
que à noite anima os personagens pios
dos passos da via-sacra
para os fazer pecar.
São sábios a seu modo,
unânimes como os sete anões de Branca de Neve
e, íntimos do Pai,
riem dos homens e dos anjos,
enquanto lançam sobre os visitantes
o olhar vazio das estátuas.

Poema reeditado

8 comentários:

Ivan disse...

Adoro este poema, Dade.

Beijos do Ivan

José Carlos Sant Anna disse...

Congonhas agradece a beleza desses versos.
Abr.,

Enylton disse...

Um belíssimo poema em homenagem a Congonhas, essa cidade maravilhosa.

Beijo.

Assis Freitas disse...

versos esculpidos, talhe precioso



beijo

Caroline Godtbil disse...

Perfeito! Que olhar precioso sobre as estátuas do mestre Aleijadinho e a mineira Congonhas.
Saudades de te ler.
Beijos.

Luana disse...

Beleza pra não botar defeito!

Beijos

teca disse...

Precioso lugar talhado em versos... uma lindeza!
Beijos.

dade amorim disse...

Obrigada, amigos!
Um grande abraço a todos.