quarta-feira, agosto 14, 2013

Ciência inexata




Se a manhã fosse o começo
não de uma segunda-feira
mas dia desnumerado
manhã das horas queridas
de examinar com calma cada luz
cada modalidade da luz
do sol e as cores
depois
olhar sem pressa a chuva
a calha da varanda
e na sede das poças
a dança refletida
dos supérfluos
que tornam o mundo
tão delicioso.

Se os pássaros voltassem
sem antes nem depois
quem sabe a noite
viajaria do fundo de sua música
até perder-se em luas de silêncio
e dobraduras de asas
aos olhos de janelas desatadas
– música da distância –
e a luz perdida entre os muros
aparecesse em visões
que o cansaço apaga
e só conseguem
furar fugazes
os sonhos.

9 comentários:

Aloísio disse...

Seus poemas são irresistíveis, Dade.

Beijo.

Adriana Riess Karnal disse...

puxa, Dade, que bonito!

Assis Freitas disse...

ciência in verso




beijo

Enylton disse...

De pleno acordo com o Aloísio, Dade: poemas que você escreve são irresistíveis!

Beijos nossos.

José Carlos Sant Anna disse...

O lirismo da sua poesia é uma nódoa que fica entranhada na gente, não há sabão que tire. Belíssimo o poema.
beijo, Dade!

Fred Caju disse...

Que peso ficou o "furar fugazes/ os sonhos", fossem "sonhos fugazes" a história seria outra. Enfim, a porta continua aberta. Muito bom que assim esteja.

Ira Buscacio disse...

bicho, esse poema me arrancou o couro, que lirismo é esse Dade, um rodopio com os pés sem chão, uma beleza rara.
quero essa manhã, todos os dias!
Bj grande, minha queridaça

teca disse...

De uma beleza fenomenal!

Beijos.

Cris de Souza disse...

Pode crer, Dade. Beijo!