terça-feira, novembro 19, 2013

mestre



na lousa fugidia o giz desfaz-se em pó
no exato instante em que o mestre desanima

a gente no ponto de ônibus
olha sem ver as revistas
da banca
e dos grafites escorre outra cidade
             sem saída

a furadeira tritura a energia suada
dos operários
             e o sol brilha
            
os ônibus são animais em extinção
             noutro hemisfério
aqui bebemos mistérios de óleo diesel

a lua em marcha vai sumir do céu
levando em suas pontas
            esgarçado
o território da estação mais fértil

6 comentários:

Assis Freitas disse...

vítreo grafite da metrópole




beijo

Ira Buscacio disse...

O poema é um daqueles absurdos que eu deito e rolo

Fantástico, Dade!

bj gigante

Adri Aleixo disse...

Vim nadar em suas águas, minha mestra.

Demais esse poema!!!

Beijo :)

Cris de Souza disse...

Há poesia no concreto...

Beijo, Dade!

Nilson Barcelli disse...

"... aqui bebemos mistérios de óleo diesel ..."
Uma nota inteligente e ecológica num ótimo poema.
Gostei muito, gostava de ter escrito este teu poema.
Dade, minha querida amiga, tem uma boa semana.
Beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Sigo este teu sonho doloroso com os olhos ansiosos, Dade. Um belo poema!
beijos,