quarta-feira, novembro 27, 2013

Nem Drummond, nem Quintana





Fiquei tão gauche na vida
que pela esquerda posição em que me encontro
nem faço parte da esquerda.
O anjo torto voltou o rosto resplendente
e disse apenas:
“Assim não é possível.”
Desviou os olhos,
retirou o amparo
e nem conselhos deu.
O anjo torto se foi
traumatizado
e depressa me esqueceu.
Acredito que tudo isso
seja só falta de um estilo próprio.
Afinal,
ninguém pode amar alguém
que não seja um outdoor de si mesmo
não saiba cantar
e nem ao menos tire fotografias
maravilhosas.
Ninguém
em sã consciência
entende
tanta resignação ante o real
tamanha falta de raça.
Qual é a graça de não ter
respostas à altura
e de viver entre livros e teclados
e nem ao menos se inscrever num chat
– melhor maneira de procurar a sua turma.
Além de tudo os anjos
voltaram à moda
e agora vivem diante de espelhos
comprados secretamente na Avon
descobrindo os prazeres da própria imagem
insipientes narcisistas
intolerantes para com mortais
que lhes pareçam angélicos demais.

8 comentários:

Assis Freitas disse...

nem ao céu, nem ao mar
nem tanto, nem tão pouco
mas com estilo, sim



beijo

Zélia Guardiano disse...

Poema perfeito, construído com as palavras mais exatas, Dade! Afinal, qual a graça disso tudo, amiga?Onde está a raça?
De nada nos vale a tentativa de tecer a lenda...Tudo é vão. Esgarça.

teca disse...

Caramba, o que não falta é estilo! E bossa!

Beijos e flores.

Ivan disse...

Sensacional, Dade!

Beijos do Ivan

Cris de Souza disse...

Um poema dos deuses!

Beijo, Dade*

Nilson Barcelli disse...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E todo o mundo é feito de mudança... Por isso, os anjos não poderiam escapar à regra...
Dade, minha amiga querida, tem um bom resto de semana.
Beijo.

Aloísio disse...

Muito bom, esse poema!

Beijo

José Carlos Sant Anna disse...

Nossa, que estilo deslumbrante. Este poema é uma permanência clara, transparente. Perfeito, Dade!
Beijos,