domingo, abril 29, 2007

Violetas


Lá fora chove
e nada do que digo
é o que queria dizer.

Estou imóvel
e tenho a pressa de uma presa
ante o felino
eternamente a preparar
o bote sem desejo
e a agonia poreja das paredes.

Asas coladas
voltamos ao casulo
viscosos seres
unidos no tormento
de um momento que não vai voltar.

Além dessas janelas
a vida comemora seus enigmas
quatro estações e luas
e o vento vibra
por suas ruas e praças.

Em nosso espaço
somos peso de carne no açougue
sem mais surpresas
repete-se o que não houve
e nos reflete
em duas dimensões
– silêncio e chuva.

Apodrecemos como violetas
o caule a desfazer-se.

4 comentários:

Lunna disse...

Nossa! Adorei a intensidade. Causou-me um desconforto de quem se vê diante de si mesma por um instante e tenta ignorar a si mesmo.
Abraços neste começo de noite.

Márcia disse...

chove aqui também, adade. e nem há violetas.

um beijo.

Saramar disse...

Angustiantemente belo!
Cada verso é como lágrima ou chuva violenta.
Lindo, intenso, como a saudade, como tudo que deveria ter havido e não houve.

beijos

Betty Branco Martins disse...

Minha Querida Adelaide

Estou de volta:))

Obrigada pela visita.

Volto mais tarde para te ler e comentar

Beijos com carinho