quarta-feira, maio 02, 2007

Finito


E. Munch.

Perto de um cais noturno, treva espessa,
conto as estrelas sozinhas e me esqueço
de quanto sou também sozinha e triste
desde semanas atrás, quando partiste.

Conto as estrelas caladas e o silêncio
contém a escuridão e é como incenso
subindo em homenagem aos que sofrem
cantando um mudo canto sem estrofes.

E nesse cais escuro debruçada
olho o balanço sem fim da água apagada
pensando vagamente no romance,

jogo finito no primeiro lance,
que foi como uma trova ou uma chance
de renovar a vida e deu em nada.

Um comentário:

Lunna disse...

Sabe qual a sensação que me ocorre diante da sua poesia nessa manhã calma e lúcida de outono? Poderia eu estar num delicioso bosque, diante de um lado de águas claras.
Mas não estou, mas você me levou até lá...
E olha que só passei aqui para informar que adicionei você lá no Livro Aberto e no Lenta Composição.
Abraços
www.folhasouvento.blogspot.com
www.lunnaguedes.blogspot.com
Espero que não se importe.
Beijos...