quinta-feira, julho 08, 2010

Rastros


Viver é praia
rastros do mar
e tudo revela
a face dupla do tempo.

Vive-se entre guardados
objetos e fotos
letras de acender nomes
texturas entrelaçadas
cipós ao sol e ao vento.

Vêm de longe
os rastros
os desenhos.

Ninguém foi o mesmo
de agora.


dade amorim





Lou Vilela no Poema-amigo

Uma amiga relativamente recente, Lou é daquelas poetas que sabem dizer tudo em poucas palavras e muita harmonia. Os poemas de Lou são sempre um prazer de leitura, música e eloquência. E além de tudo, desconfio que Lou é uma dessas pessoas de coração de ouro maciço.

Pedaço mastigado

Quando me defino
sou  passado
- rio percorrido,
pedaço mastigado.

No hoje transbordo,
rumino e me estranho.

Lou Vilela


15 comentários:

Mirze Souza disse...

Maravilha, Dade!

Diante de grandes poetisas, calo-me e reflito.

Parabéns!

Beijos

Mirze

Lara Amaral disse...

Dade, seu poema me adentrou tanto que me lembrei dos sulcos deixados pelo tempo, tal qual onda preguiçosa em areia fofa.

E sobre a Lou, nem preciso falar. Sou fã dela, admiradora, ela é dessas poetisas que nos emudecem com suas palavras arrebatadoras.

Ah, Dade, publiquei um poema seu no meu facebook, fez o maior sucesso, viu? =)

Beijos.

José Carlos Brandão disse...

Os rastros que deixamos na vida. Marcas de nossa passagem. É isso.
Um grande abraço.

Beta disse...

Dade, teu poema é uma jóia, como sempre. Acendes letras, texturas tantas! Que bela a Lou V! Lerei mais, é certo.
Beijo carinhoso,

Assis Freitas disse...

dois belos poemas, exemplos de domínio do exercicio poético, encontro de rara beleza,

beijos

Marcantonio disse...

Um belo poema. Esse "ninguém é o mesmo/de agora" diz tanto! Uma inversão maravilhosa, subindo o rio de Heráclito!

Foi bom passar por aqui.

Um abraço.

Lou Vilela disse...

Dade,

Poemas, sempre bem lapidados, que tocam a alma - é prazeroso acompanhar seus passos.

Agradeço por me incluir neste relicário, bem como pelo generoso comentário. :))

Um grande abraço aos amigos e leitores!

Lou

Adriana Godoy disse...

Bela postagem, belos poemas. Duas poetas que se encontram...isso é muito bom. bj

Úrsula Avner disse...

Oi Dade,

Seu poema é belo, uma construção lírica admirável... Quanto mais te leio mais te admiro.

A Lou já é minha conhecida de algum tempo e participamos juntas do blog Maria Clara Simplesmente Poesia. Aprecio muito os poemas dela sempre bem estruturados na forma, no tema, na beleza poética... Bela postagem !

Beijos,

Úrsula

contagotas disse...

Dois poemas que tendo a mesma mensagem se completam: LINDOS!

Carla disse...

rastros. apenas rastros. cada sopro que conta tantas histórias. nenhuma inteira, porque o inteiro não existe.

Carol Timm disse...

Dade,

Como tem sido maravilhosas essas suas rotas, verdadeiros mapas das minas de poesia na internet.
Que bom que te encontrei um dia!

A Lou é concisa, mas se faz longas viagens nas palavras dela! Amei!

Beijos,
Carol

Ianê Mello disse...

Lindo poema, Dade, que retrata poeticamente a passagem do tempo.


Belo poema da LOu, que em poucas palavras diz tudo.

Parabéns às duas.

Grande beijo.

« Katyuscia Carvalho » disse...

Querida Dade,

Algo que me toca muito na Lou é que, como rio, ela foi alcançar o mar do litoral, mas esqueceu algo seu - e sempre lembra de sentir saudades - é uma tal raiz-fulô-de-mandacaru no sertão.

[temas recorrentes em sua obra]

Um beijo a ti, e um "chêro" a ela.

Rafael Castellar das Neves disse...

Vim conferir a dica da Dade e achei muito bom aqui...ótima ideia!!

[]s