sábado, setembro 11, 2010

11 de setembro



Atiraram-se dos andares em chamas.
Um, dois, ainda alguns,
mais acima, mais abaixo.

A fotografia deteve-os na vida,
preservou-os
sobre a terra rumo à terra.

Cada um ainda na íntegra,
com rosto individual
e sangue bem guardado.

Ainda há tempo
para os cabelos esvoaçarem
e do bolso caírem
chaves e alguns trocos.

Ainda estão ao alcance do ar,
no âmbito dos lugares
que acabaram de se abrir.

Só duas coisas posso por eles fazer:
descrever este voo
e não acrescentar a última frase.

WISLAWA SZYMBORSKA
(de Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, Relógio d'Água, 2006)

8 comentários:

Úrsula Avner disse...

OI Dade,

uma triste realidade retratada em versos... Bj,

Úrsula

João Renato disse...

Olá, Dade,
Um poema bonito e difícil, porque é difícil fazer poesia do óbvio sem ser óbvio.
Um abraço,
JR.

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Belo e chocante...

Dói imaginar o que imaginaram nos segundos que se eternizaram antes do choque... dói imaginar, nos colocar nos seus lugares... e inda assim é bom saber que a dor do outro nos dói no enlace do drama humano que nos aloca em mesma rede, em mesma teia, ligados invariavelmente pelo mesmo destino...

Abraço, dade!

Assis Freitas disse...

11 de setembro, o dia que o mundo ruiu e as ruínas ainda estão espalhadas,


beijo

Sônia Brandão disse...

Triste, mas é preciso doer também em nós para que não se apague da memória.

bjs

Mirze Souza disse...

Dade!

Isto é o sabor da poesia, que circunda a tragédia e propõe um olhar na vida. Não poderia mesmo haver um final.

Lindo!

Beijos

Mirze

Eliana Mora [El] disse...

Li e releio agora; uma beleza o poema;

bjs El

Carol Timm disse...

Dade,

Forte, belo e muito triste este poema. A gente lembra uma data marcada por tantas tragédias.

Beijos e uma boa semana para nós,
Carol