sexta-feira, abril 09, 2010

Atriz



H. Matisse. Femme en se reposant.


Essencial lembrar que não estava atuando
fosse filmagem, o medo teria que ser mais explícito
o terror eloqüente.

Pisou achando que o chão ia se abrir
estava nauseada, é verdade, mas não se morre disso
e era preciso fugir do algoz
evitar alçapões e laços escondidos no caminho.

Saiu pisando firme, o sol ainda claro
assim que dobrou a esquina abriu um sorriso
:
o morto tinha ficado para trás
e já avistava o letreiro da sorveteria.

9 comentários:

Lara Amaral disse...

Na vida real, as emoções misturam-se, confundem-se...

Beijo!

Roberta disse...

Senti toda minha turbulência e inconstância traduzida nesta tua poesia! :)

Assis Freitas disse...

O gelo da morte vai se imiscuindo no letreiro da sorveteria, abraço

Renata Magalhães disse...

Mistura de sentimentos, o sombrio em oposição à clareza. Um trabalho tão bonito com as palavras só poderia vir de você, Dade. Abraço!

José Carlos Brandão disse...

É preciso deixar os mortos para trás.
Nem sempre estamos atuando.
Um beijo.

Sarah Slowaska disse...

"era preciso fugir do algoz evitar alçapões e laços escondidos no caminho"

:') adorei! E a música de fundo é simplesmente uma delícia! Vou ler mais!

Natália Nunes disse...

poesia meio infância, meio vertigem. e sempre sorvete, adoro :D

beijo, dade.

Carol Timm disse...

Oi Dade,

Seus poemas estão cada vez mais ricos de significados.

É muito bom vir me refrescar na sua poesia!

Beijos e bom domingo!
Carol

PS: Mais tarde nos falamos... ; )

Nilson disse...

Mas É cinema!!!