quarta-feira, maio 04, 2011

Tempo morto


Pesa um silêncio sem volta noite adentro
e luz de água parada nas coisas do outro dia.
É sem remédio e antigo o que acomoda a vida nesse estado.
É mais que tédio
o que resiste e não atrai ou repele
antes se fecha em flor pendendo murcha
vegetal que já não vive
antes que a morte seque o movimento
antes que a pele se solte do músculo contrito.

Como se a vida tivesse se afastado
para espiar de longe a realidade
tudo agora é queda
e nada ficou por descobrir.

Poema reeditado


8 comentários:

Kelly disse...

Dade, nunca vi falar do tédio com tanta propriedade como você faz nesse poema. E o final não podia ser melhor que esse: e nada ficou por descobrir. Lindo e sensível.

Beijos

Úrsula Avner disse...

Oi Dade, belas imagens poéticas num texto em profundidade lírica...Bj.

Suzana Martins disse...

e o tempo adormece dentro do silêncio de palavras...

beijos linda

Mai disse...

Caramba, Dade, você pintou uma tela com seu poema, ou traduziu em palavras a emoção de uma cena, eternizando o momento.

Pausar a morte, foi o que seu poema ousou e conseguiu. Não sei se é bom, mas certamente é um belo, belíssimo poema.

Adorei a melodia, o compasso dos versos. Morte calma, resignada...

beijos

Lalo Arias disse...

Um tédio completamente cheio de coisas. Poesia é isto: surpresa. Calculo que este seja um dos seus poemas mais fortes. Belíssimo.
Um beijo.

Ana Maria disse...

Há poemas assim tristes mas cheios de vida e de beleza.
Beijos.

Graça Pires disse...

"Como se a vida tivesse se afastado
para espiar de longe a realidade"
Como se o tempo do poema não coincidisse com o tempo real...
Um belo poema.
Beijos.

MIRZE disse...

DEMAIS, DADE!

Só você consegue fazer o tédio ficar bonito!

Beijos super poeta!

Mirze