segunda-feira, junho 03, 2013

Decantação



Porque calei o amor e a incerteza
toda a verdade do que mais importa
e construí castelos de defesa
só restará de mim a língua morta
com que semeio a terra adjacente
e que relata imagens refletidas
do medo e da saudade do presente
e do futuro adiado pela vida.
Porque fiquei e o tempo nunca para
e quanto mais me omito mais me eximo
partiu-se o fio que me desenhara.
Tornei-me pedra cal areia e limo
já não sou mais que o espaço que me ampara
e decantada no tempo me suprimo.

9 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

... restará de mim a língua morta
com que semeio a terra adjacente...

Os versos foram lá no mais profundo da alma agora!

beijos,

Lara Amaral disse...

Desses que você escreve, e eu leio e sinto na pele. Muita identificação.

Beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

Melhor que vinho decantado este soneto camoniano. Ele está se deliciando lá em riba.
Abraços,

Marcelo R. Rezende disse...

Lindíssimo. De tão doído, fez-me lembrar de algumas coisas. Poesia é baú!

Beijo

Assis Freitas disse...

bela assimetria silábica e melódica

beijo

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Mas sempre existe
um tempo
de se retornar
a vida...

A vida é feita
dos sonhos que nos habitam.

Luana disse...

Belo, muito lindo esse soneto.
Beijos.

Fred Caju disse...

Que sonetão!

Jota Effe Esse disse...

Decantou-se? Pra mim purificou-se! Meu beijo.