terça-feira, junho 18, 2013

Momento




A chuva se recria
nas folhas da amendoeira
canta
na franja dos telhados
a madrugada líquida que chega.

É tanto o que independe
de nós
aos olhos mais atentos
– as luzes que vacilam
e nada saberemos dos bichos escondidos
no escuro mais escuro –
nada
de tudo que subsiste
sem que os sentidos registrem.

De todos os sinais
sobram frações
segundos, séculos
girando em outra esfera.

Se a pele é fiel ao tempo
o vento embala
ou destrói
e a chuva é mais que suas nuvens.

Olhando pela vidraça a sedução do tempo
quem sabe o mundo que iremos encontrar
depois do sono.
Ainda assim o momento é mais forte
e o esquecimento nos salva.

6 comentários:

Luana disse...

Lindo demais, Dade!
Bjs

Assis Freitas disse...

esquecer nos livra de muitas memórias

beijo

José Carlos Sant Anna disse...

A apreensão desse momento mágico é uma lição de poesia, Dade.
Abração,

Marcelo R. Rezende disse...

Dade, sensacional.
Adorei o detalhe com as nuvens!

Enylton disse...

Muito, mas muito lindo!

Beijos nossos

Anna Amorim disse...

Haverá um esquecimento?

a chuva em franjas no telhado escorrem ainda pelas janelas
da minha alma

Lindo poetar