sábado, setembro 28, 2013

De gavetas e gaiolas




A gaveta esquecida
retém lances de dados
jogos refeitos
e devaneios datados
de alguma primavera.

O corpo é um limite
e adivinha
mares e voos
preso à monotonia
da respiração necessária.

Respira na gaveta
uma existência de pássaro.
Aberta uma gaiola
o pássaro tem medo
de se atirar no vazio.


8 comentários:

Oliveira Campos disse...

Adelaide,
O vazio é sempre essa infinita possibilidade/ de tudo e de nada.
Que belo poema esse!
E perder as chaves da gaveta/ trancada outra vez?
Abs,
Oliveira Campos

Assis Freitas disse...

puxa, este final me fez mergulho



beijo

Fabio Rocha disse...

Voei longe... Bj

José Carlos Sant Anna disse...

A nudez da gaveta é também a nossa nudez. Abri-la é perder-se...
beijos, Dade!

Ira Buscacio disse...

Que beleza de poema, Dade!!! Como uma gaveta, aberta ou fechada, pode tanto, não é mesmo!?

Bj grande e saudade

Jota Effe Esse disse...

Várias imagens, muito lindas, foram criadas com teu poema, Dade! Meu beijo.

Adri Aleixo disse...

Nossa, esse medo é tão desconcertante...

Demais, Dade!!! Beijo:)

Anna Amorim disse...

Teu poema me remeteu ao meu:

Dilema

Debaixo das asas aconchegada, acolhida
Recolhida
Presa

Nunca mais voar?

Voar
Céu infinito
Vento frio

Asas cansadas; nenhum lugar para repousar?

Anna Amorim