terça-feira, outubro 05, 2010

Paraty III




Não ficou longe minha cidade
na curva silenciosa das montanhas.

Aqui o passado abriu leitos de rio
limite e correntezas
e volta a se duplicar em seus espelhos.
Aqui os viajantes se hospedam
e o casario permanece puro
sem indulgências plenárias
romarias.

As sete cabras de prata se sustentam
para afastar agouros e usurários
mais corrosivos talvez que a maresia.

Por trás dessas montanhas
minha cidade dorme
corrompida.

9 comentários:

Assis Freitas disse...

a cidade contém o homem ou homem contém a cidade

beijo

José Carlos Brandão disse...

Amo Paraty.
E o seu poema é um amor - que delicadeza de imagens!
Beijo.

nydia bonetti disse...

Li um livro, dade, onde a autora diz que nenhum historiador pode contar a história melhor do que a cidade. É possível "ler" a história ao olhar cidade. Inclusive as modernas - nos contam da decadência e das nossas incapacidades como urbanistas, e sociólogos e administradores, etc, etc.... Também amo Paraty. :) Beijos!

Leonardo B. disse...

[quantos mais os caminhos de alcatrão, mais os dias dos caminhos ficam corrompidos: perdem-se dentro das bússolas, as nossas quase perdidas]

um imenso abraço, Amiga Dade

Leonardo B.

Mai disse...

Vivi um tempo em Paraty, dade. E me emociono onde quer que aviste seus sinais, as marcas de sua arquitetura. Paraty é um registro histórico a céu aberto.
Uma cápsula do tempo abaixo do nível do mar, onde ruas são veios de rios, quando o mar avança
- na mare vazante, que o mar derrama sobre as pedras.

Poema citadino, poema de amor e saudade. Adoro Paraty, e admiro tua poesia, cada vez mais.

grande abraço.

Amélia disse...

Gostei muito - do poema e da cidade assim dita.beijo

Sônia Brandão disse...

Um sentimento de pureza invade a gente com a leitura do seu poema.
bj.

Lara Amaral disse...

Nossa, que bonito. Poema-ode daquilo que não foi aclamado.

Beijo.

Nilson disse...

Mais vontade ainda de conhecer Paraty!