sábado, outubro 02, 2010

Sem melodia

Na casa
o frio que vem de dentro é o mais frio.

À sombra
um rio urbano
música sem melodia
compassos irrepartidos
traz do fundo da corrente
uma semente bruta de passado.

Do rio sobe uma canção vazia.

Algum momento incauto
quase alegria
molhado de pensamentos
voa desajeitado
e vai se juntar ao lixo
onde comem as garças.

14 comentários:

tonhOliveira disse...



Vim ver Dade e gostei do que li!

be:)os!

Samuel Pimenta disse...

Que beleza de poema, Dade, que beleza de poema!

Tudo de bom,

Samuel Pimenta.

Zélia Guardiano disse...

Simplesmente maravilhoso, amiga Dade!
Senti até a umidade deste teu rio...
Encantei-me!
Grande abraço e beijinhos.

Lara Amaral disse...

Creio que se as construções urbanas falassem, que se cada exausta calçada pisada do dia-a-dia pudesse se expressar, seriam através de vc - e não é o que fazem? =)

Beijo.

Marcantonio disse...

Compassada melancolia. Não é curioso que as garças aparentemente tão distintas sejam tão afeitas ao lixo? É o que lhes resta ou é a sua própria natureza?

Abraço, Dade.

Assis Freitas disse...

belo jogo de contradições: garça/graça

beijo

Mirze Souza disse...

É sim, Dade!

Não há frio maior do que o que vem de dentro!

Todo o poema, é lindo, mas essa parte me marcou!

Beijos

Mirze

José Carlos Brandão disse...

De uma beleza delicada, Dade, quase etérea.
Beijo.

Gerana Damulakis disse...

Forte, denso, gostei imensamente.

Úrsula Avner disse...

Oi Dade,

a sua escrita poética é sempre bem cuidada e bonita. Gostei muito ! Bj.

João Renato disse...

Então, será a poesia a elegância da garça ao comer o lixo ?
Abraço,
JR.

Carla Jaia disse...

Lindo, Dade.

"Canção vazia" é puro espaço. de todo silêncio e som.

Você que escuta os dizeres não ditos da cidade.

Natália Nunes disse...

calhou bem para essas últimas paisagens urbanas do meu cotidiano, mais gris, mais silenciosas, com seus chuviscos promissores e a cantarola da ventania.

Carol Timm disse...

Dade,

Esse poema é como o vinho, vai se tornando a cada dia mais prazeroso.

Beijos,
Carol