quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Águas



Caminhos dágua correm nos sentidos
quase em silêncio
de labirinto.

Asas de sulcar a terra
transluzindo
caminhos dágua são nossos
de navegar.

Guardam histórias
de ventania
conchas
escória e
restos de ilhas.

Vestidas de morte e grito
águas podem mais que a vida
: inventam túmulos
engolem corpos
engrossam o abismo
e cavam guerras.

Caminhos dágua
margeiam nossas vidas
sem registro.

7 comentários:

Marcantonio disse...

Nossa, é como se você tivesse juntado Tales e Heráclito! Poema marcante e original. Caminhos pluviais, fluviais. Aluvião. A estátua de Netuno em bronze "soterrada" pela
água.

E, no entanto, somos quase água, que tem também caminhos verticais, vaporosas ascensões de ciclos entre a terra e o céu.

Beijo.

Luiza Maciel Nogueira disse...

Essas águas caminham aos olhos, limpam o olhar - belíssimo

beijos

Assis Freitas disse...

por onde olhos água há de rachar,


beijo

Lalo Arias disse...

A chuva de ontem à noite levou todas as palavras que eu poderia usar pra falar desse seu poema.
Beijão, Dade.
obs: Gostei muito do novo visual do Inscrições.

Mirze Souza disse...

Maravilha, Dade!

Eis porque as águas me atraem. Elas podem mais que a vida. Somos água!

Beijos

Mirze

Lara Amaral disse...

Maravilhosa metáfora, de remover sulcos.

Beijo!

Úrsula Avner disse...

Oi Dade,

águas poéticas inundam esse seu espaço virtual... Lindo poema, como de costume. Bj,

Úrsula