sábado, fevereiro 05, 2011

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Foto Aykan Zener.

Noite dessas
em que a lua multiplica sombras
e com sua luz mais viva
faz voar a casa
repetida
entre penumbras e contornos luminosos
recomeçou a história
de nossa vida.

A lâmina daquela dor
antes tão fina
reduplicada e agora descoberta
desfez-se em musgo no chão do jardim.
As mãos antes vazias
se detiveram tépidas de enlaces
e as bocas navegaram seus abismos.
O mundo ermo de agora
trouxe de volta o pavor e a delícia.

Sobre lembranças sem corpo
as novas silhuetas confirmadas.


10 comentários:

Analuka disse...

Belo e inspirado poema, querida!... Nada como o musgo do tempo e da maturidade para desfazer algumas lâminas, e transformar seus fios em fagulhas de ternura, capazes de reflorir almas, lábios, peles... Beijos pintados e alados!

Lalo Arias disse...

Vamos descobrindo, com o tempo, que nada se desfaz. A delícia e o pavor apenas mudam de jeitos, assim como a nossa maneira de enxergar o que já ficou pra trás.
Belíssimo poema, Dade.
Um beijo.

Úrsula Avner disse...

Oi Dade querida,

Belas imagens poéticas num poema arrebatador... " A lâmina da dor " ...conheço bem esse corte... Obrigada por seu carinho. Bj.

Zélia Guardiano disse...

Dade querida
Que riqueza de poema!
Deste misto de medo e alegria, como você trata perfeitamente!
Encantou-me!
Abraço carinhoso da
Zélia

Assis Freitas disse...

de um lirismo enriquecedor, bocas navegando abismos é por demais imagético. paradoxalmente o que dá prazer convive com o temor, canto sublime,


beijo

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Lindo. Este e os outros todos. Muito bom passar por aqui, sítio tão cheio de coisas ótimas. Aproveito pra agradecer a generosidade dos comments no Consoantes Reticentes. Um beijo, Dade.

Lara Amaral disse...

Metáforas refletidas em cada verso da sua noite. Belíssimo!

Beijo.

nydia bonetti disse...

Tudo parece girar em círculos Dade. Talvez viver seja recomeçar o tempo todo - entre dor e delícias. Ah... esse tom do poema que persigo... :) beijos.

José Carlos Brandão disse...

Vivemos de memórias. Quando menos esperamos, a sensação renasce, pulsa em nós - e somos mais vivos.
É a força da poesia. Ou do amor.
Beijo.

Mirze Souza disse...

Maravilhoso!

Agora está entendido a sensação de dejà-vue.

É a lua que aviva lembranças.

Lindo poema Dade!

Beijos

Mirze