segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Geometrias




Os objetos
são o que são
mas não sabem

São bem concretos,
no entanto
o vento passeia ameno
e anima os ângulos frágeis
dos papéis em minha mesa.
A sombra discreta vela
no meu cinzeiro de vidro
todas as constelações.

Vêm de tamanhas distâncias
imunes a nossas fomes
sede, paixões ou temores,
indiferentes aos anos.

Os objetos passam pelo dia
ao tempo de nosso olhar
mas não se explicam
: os objeots 
são como os poemas.
.

9 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

o silêncio dessa poesia ressoa fundo na palavra, ressoa fundo no olhar

beijos

Amélia disse...

Paranão aruiar, gosto muito dos seus poemas. beijos e um bom mês que agora começa!

Assis Freitas disse...

me lembraste um verso de Drummond:

que triste são as coisas consideradas sem ênfase


beijo

Anônimo disse...

Creio que a poesia nos traduz sem reducionismos. Cada um com sua voz própria, às vezes pensamos igual.
Beijo do Ivan.

Lalo Arias disse...

Sob certas circunstância, nem mesmo os mais profundos sentimentos se explicam.
Belíssimo poema, Dade. Um beijo.

Graça Pires disse...

As palavras e os silêncios dispersam a poesia...
Um beijo.

MariaIvone disse...

Os objectos são matéria que perdura para além dos seus utilizadores. Prolongam no tempo a sua memória ainda que dispensem as palavras.

Belíssimo poema,
Beijo

nydia bonetti disse...

As coisas não tem paz. Mesmo sem ter vida se contorcem. E o que vive se deforma.

Lembrei desse trecho de um poema, desses que ficam perdidos, como alguns objetos que a gente nunca mais encontra. Beijo, dade!

Anônimo disse...

Quanta coisa dorme nos objetos a nossa volta!
Bjs do
JL