segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Em família

Os pais os olhavam
tristes
como quem sofre
dores muito antigas
sonhos pisados
e um atavismo de culpas
sem remédio.

Na hora mais quente do dia
a casa em desalinho
longe do pai
a mãe lavando a louça
deixaram os brinquedos no porão
tentando salvar a vida
mais para lá do portão.

Levavam
olhos de choro
as dores já tão antigas
e dentro da pele
as culpas.

12 comentários:

R.B.Côvo disse...

Triste... Um abraço.

Amélia disse...

Triste, sim, mas bem oportuno...

Úrsula Avner disse...

Oi Dade, poema de profundo tema existencial, marcante, triste, bonito...Bj.

MariaIvone disse...

Pais sempre sentem culpas. Mas seu amor é tão forte que a culpa não tem razão de existir.

beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

Tradicionalismo, familia eé um pouco assim, cheia de culpa por colocar uma vida no mundo por vezes miseravel! Beijos

Assis Freitas disse...

herdamos essa vertigem que corrói o olhar, somos sempre o expurgo dos outros e nesse aprendizado temos que sobreviver


beijo

Graça Pires disse...

A vida é por vezes um lugar triste.
Muito belo, o poema.
Beijos.

Anônimo disse...

E isso é tão mais comum do que se imagina! Há muito mais gente triste do que alegre, neste mundo. Belíssimo o poema. Bjs da AnaC

Marcantonio disse...

A transmissão quase inevitável de uma herança dolorosa.

Beijo.

helen ps disse...

Esse é daqueles poemas de apertar o coração. Verdades expostas traduzidas de maneira bela.

Abraços.

PAZ e LUZ

A. Elise disse...

Poema lindo, de uma delicadeza desconcertante.

Mirze Souza disse...

DADE!

Lindo e triste. Como passei por isso, emocionei-me, o que significa que você escreve com a alma.

Beijos

Mirze