segunda-feira, dezembro 19, 2011

Estante



Às vezes fecho o livro que estou lendo
para expurgar fantasmas
que me invadem.

Os livros têm licença de mentir
ou sufocar de verdades quem se arrisca.
Explicam nossas culpas
ou tocam sem cortesia na alma de quem lê
e atingem irreverentes os sentidos.

Às vezes me percebo nas palavras
outras, sofro
quando sem compaixão nem saída
a vida escrita esmaga um personagem.

Palavras que se atraem mutuamente
escritos e leitores dão-se as mãos
a evocar instâncias
e bifurcar-se num jardim de Borges
multiplicados enfim
outras histórias
sobre segredos memórias
sons e sonhos.

Perseverantes e inertes nas estantes
estão vivos
habitados de razões inesperadas
canais de lágrimas e motes para o riso.

Em sua música secreta
encapada
uns são baladas
outros sinfonias
outros ainda notas dissonantes
mutantes harmonias em palavras.

5 comentários:

Amélia disse...

Já tem a sua «arca» no meu blogue.Obrigada.Como sempre, gosto da sua poesia- e deste de agora também.

Ivan disse...

Os livros, em especial alguns, têm mesmo essa força, esse poder sobre nós.

Beijos do Ivan.

Bípede Falante disse...

Dade, quanta sensibilidade unida a reflexão. Que post honesto e acolhedor.
beijoss :)

césar disse...

às vezes fico olhando minha estante e imagino coisas muito afins a esse poema.

beijo.

Assis Freitas disse...

apaixonante: livros e versos



beijo