sexta-feira, janeiro 27, 2012

Quase uma biografia


Diante de prateleiras de poemas
imaginava viver em Santorini
num terraço
avaliado em sete livros desaparecidos
durante a inquisição.
Imaginava planos e viagens
sem nunca sair de casa
a esperar demais do gato e das janelas
acumulando fumaça e pesadelos
– noites que nem a madrugada abria
entre monges escreventes
caligrafias iluminuras e inutilidades
cobertas de poeira
e páginas sobre o mar
que ele inseria entre as cenas de algum filme
a que assistia distraído na TV.

11 comentários:

mfc disse...

Que seríamos sem a possibilidade de imaginarmos?!
Eu?!
... estaria em Kaisersberg, na esplanada do hotel, num fim de tarde com o sol poente a dourar as pedras da torre da igreja...e a bebericar um copo de Riesling fresquinho!

Assis Freitas disse...

vivencio cada objeto como uma realidade etérea, mas prenhe de possibilidade


beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

me parece a vida de um leitor invertebrado louco por cinema :) beijos

Amélia disse...

Muito bom, Dade!
Beijo

Flávia disse...

E toda a possibilidade de ser não passa disso - possibilidade.

Beijo, moça.

Ivan disse...

Imaginar e viver são irmãs gêmeas univitelinas...

Beijo do Ivan

Fred Caju disse...

Lembrei da Autobiografia de um só dia do Cabral.

Jorge Pimenta disse...

há tantos lugares que nos tornam possíveis...
santorini.. os livros proibidos... a janela sobre o mar... posso entrar no teu sonho?
beijinho!

teca disse...

Que bonita viagem... uma imaginação tão viva de você através de versos...

Vou passear um pouco ao redor da natureza, descansar, admirar detalhes de vida... depois eu volto para ler seus versos.

Um beijo carinhoso e flores do campo.

Sr.Borges disse...

Cada um sonha com sua Kallístē, um querer viver no mediterrâneo de seu tempo.



Um cordial abraço, dade!

Enylton disse...

Belíssimo, Dade. Acho que posso dizer mais que quase, porque é como se o conhecesse aqui.

Beijos nossos.