segunda-feira, setembro 10, 2012

Visitante




No fim de um dia de trabalho
a noite consumada
ele vem me falar.
Desde cedo
o dia estava propício a estranhar
quase tudo que se explica pela lógica.
Espantava ser aceito
e respeitável entre os iguais
– espanto familiar
tão natural como beber água
ou ir à janela olhar a rua.

O estranhamento se aplaca
como se um amigo antigo
dissesse sou eu
do outro lado da porta.

Custei a entender
e agora sei
– isso acontece
para ampliar espaços
onde o corpo com sua alma pendurada
podem voltar a ser a dupla que já foram.
Mostra que a vida
não pode ser o que se pensa
mas tem vertentes ousadas
que o outro talvez saiba explicar
ou simplesmente vive.

O outro me abraça e segue
de um jeito calmo e surpreendente.
e vai mais longe que eu.
Aceito a mão que me dá
e vendo tudo tão claro
chego a pensar que morri
atrelada a essa imagem
de outro registro.

8 comentários:

Mirze Albuquerque disse...

Tão delicado! É difícil passar esse tipo de experiência, como se alheia à nós.

"onde o corpo com sua alma pendurada
podem voltar a ser a dupla que já foram"

MARAVILHOSO!

Beijos

Mirze

Assis Freitas disse...

o outro, o outro, e os estranhamentos entre iguais,



beijo

Caroline Godtbil disse...

Talvez vc tenha razão... talvez isso aconteça para ampliar espaços. Tomara. Resgatar minha própria alma é uma das minhas prioridades.
Como sempre, seu texto encanta minha inteligência e se crava nos meus sentimentos.
Beijo.

teca disse...

Como a Cecília, você também é o máximo, transborda o coração!

Beijo carinhoso.

Tania regina Contreiras disse...

Essas vertentes ousadas...ah, elas, se não fosse elas...
Beijos,

Daniela Delias disse...

Me fez sentir tanto...

Belo, Dade

Bjos!

Ivan disse...

Mexeu comigo, muito!
Beijos do Ivan

Adri Aleixo disse...

Tocante e belo.

Beijo, amiga Dade!